Quando o Império se curva ao Sagrado: uma leitura da narrativa de Josefo sobre Alexandre e Jerusalém
Introdução A tradição preservada por Flávio Josefo em Antiguidades Judaicas (Livro 11, capítulo 8) oferece um dos episódios mais simbólicos da relação entre poder político e autoridade espiritual na Antiguidade: o encontro entre Alexandre, o Grande, e o sumo sacerdote judeu Jadua, nas portas de Jerusalém. Mais do que um registro histórico, o relato funciona como uma peça de interpretação teológica da história — onde a geopolítica se torna palco para a afirmação de um princípio maior: a soberania do divino sobre os impérios. Contexto histórico: expansão e tensão No século IV a.C., Alexandre conduzia uma campanha militar sem precedentes contra o Império Persa. Após subjugar cidades estratégicas como Tiro e Gaza, sua marcha o levaria inevitavelmente à região da Judeia. Jerusalém, naquele momento, não era uma potência militar, mas um centro religioso de grande relevância. A tensão era inevitável: como um império expansionista trataria um povo profundamente comprometido com sua ...